2024-01-15

Agressão imperialista ou milagre da colonização portuguesa? O contributo decisivo da política pombalina para o Brasil que conhecemos hoje

Com prefácio de Kenneth Maxwell, O Marquês de Pombal e a Unificação do Brasil – Pombalismo, História e Literatura, de José Eduardo Franco e Luiz Eduardo Oliveira, ilustra como as medidas josefino-pombalinas impediram a fragmentação política do imenso território que se tornaria num dos maiores e mais relevantes países do mundo.

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Dificilmente haverá, na história portuguesa e brasileira, uma figura política tão sujeita a processos de reinterpretação e construção de imagens ambivalentes, contrastadas ou mitificadas – com os mais diversos propósitos – como Sebastião José de Carvalho e Melo.

 

Contudo, e inequivocamente, o contributo da ação reformativa do primeiro-ministro para o processo de unificação e construção de uma nação imensa na América do Sul é inegável. José Eduardo Franco e Luiz Eduardo Oliveira demonstram-no com rigor na primeira novidade da Temas e Debates para este novo ano de 2024: O Marquês de Pombal e a Unificação do Brasil – Pombalismo, História e Literatura já chegou às livrarias. 

 

Déspota cruel ou precursor de projetos de sociedades liberais e democráticas?

 

No centro de um perpétuo e invulgar processo metamórfico de maquilhagem histórica, o primeiro-ministro de D. José I foi inúmeras vezes «reconstruído» em extraordinárias e ambivalentes reconfigurações e mitificações no decorrer da História e na cultura contemporânea.

 

Não obstante, e independentemente do julgamento que possamos fazer das consequências antropológicas e culturais da política pombalina – que tanto pode ser considerada uma das grandes agressões imperialistas do século XVIII quanto um milagre da colonização portuguesa –, é quase impossível compreender plenamente a construção discursiva do Brasil independente e unificado enquanto império, e depois como nação, sem destacarmos esse contributo decisivo potenciado por Sebastião José de Carvalho e Melo.

 

Neste livro, José Eduardo Franco e Luiz Eduardo Oliveira observam criticamente de que modo as reformas administrativas e outras intervenções pombalinas operadas nos territórios da então colónia brasileira abriram caminho para o processo de unificação do Brasil e para a construção de uma nação imensa na América do Sul a falar uma só língua, recuperando e organizando estudos anteriores para desenvolver alguns pontos que, embora já abordados e discutidos fragmentariamente pela historiografia, em textos académicos, ensaísticos ou biográficos, careciam de um aprofundamento atualizado, capaz de proporcionar novas perspetivas teóricas e interpretativas.