«O Livro Português das Fábulas», de José Viale Moutinho.
«O Livro Português das Fábulas» é uma importante reunião do universo fabulístico nacional.
As fábulas podem ter surgido no Oriente mas rapidamente foram apropriadas e adotadas por outras culturas. O Livro Português das Fábulas reúne este património imaterial do imaginário português que, ao contrário do que se possa julgar, ainda se mantém vivo. Desde o anonimato dos tempos antigos à história literária, também os nossos escritores nos deram belíssimas fábulas com importantes lições de vida e de moral.
«Literatura de Cordel», de José Viale Moutinho
Verdadeiras narrativas de amor e de crime numa antologia que nos faz regressar ao tempo em que as histórias eram publicadas em vários capítulos, impressas em formato de caderno e suspensas de um cordel, para serem vendidas nas ruas, feiras e aldeias. Tomava-se conhecimento das singularidades do mundo, das verdades e das mentiras, dos criminosos, das execuções e dos milagres, dos fenómenos naturais e dos monstros sobrenaturais. Há por aqui vinganças, mas não escapa a misericórdia, a comiseração, a inteligência e a sabedoria popular, a esperteza, as fortunas tiradas das cartolas ou das carapuças de burel! São textos que fazem parte por vezes de uma literatura marginal, e outros que se inscrevem na literatura tradicional que estão na memória das histórias que eram contadas e recontadas, como: «História do célebre navegador João de Calais»; «Maria! Não me mates que sou tua mãe!»; «Vida de José do Telhado»; «História do grande Roberto do Diabo» ou ainda «História verdadeira da princesa Magalona».
«Moda e Feminismos em Portugal», de Cristina L. Duarte
Diz-me o que vestes, dir-te-ei quem és. A moda como fenómeno social e laboratório dos géneros. "Este trabalho tem como objetivo analisar sociologicamente o fenómeno da moda: identificar os valores associados ao vestuário, as representações de si e a socialização, bem como a rutura e/ou continuidade, expressas pelos modos e maneiras de vestir, e o poder inerentes a certos itens de roupa, que podem significar também opressão, constrangimento ou insegurança. Ao falarmos sobre mulheres, roupa e sociedade, lançamos um novo debate sobre feminismos, e identificamos o poder dado pelo vestir ao longo de momentos-chave da mudança social e política do século XX. Na nossa abordagem, a sociedade portuguesa surge retratada pela voz de 23 mulheres, participantes em três momentos principais: durante o Estado Novo, 25 de Abril e após 1974."
«A Estranha Ordem das Coisas», de António Damásio
A resposta habitual a esta pergunta remete para a excecional inteligência humana, auxiliada por uma faculdade ímpar: a linguagem. Em «A Estranha Ordem das Coisas», António Damásio proporciona uma resposta diferente. Ele afirma que os sentimentos - de dor, sofrimento ou prazer antecipado - foram as forças motrizes primordiais do empreendimento cultural, os mecanismos que impulsionaram o intelecto humano na direção da cultura. Além disso, propõe que os sentimentos monitorizaram o sucesso ou o fracasso das nossas invenções culturais e permanecem, ainda hoje, envolvidos nas operações subjacentes ao processo cultural, para o melhor e para o pior. A interação favorável e desfavorável de sentimento e razão deve ser reconhecida se quisermos compreender os conflitos e as contradições que afligem a condição humana, desde os dramas humanos pessoais até às crises políticas.
«A Invenção da Ciência», de David Wooton Antes de 1492 acreditava-se que todo o conhecimento relevante já se encontrava disponível, não havia um conceito de progresso e as pessoas procuravam compreender o passado e não o futuro. David Wootton argumenta que a descoberta da América demonstrou que era possível o novo conhecimento. Aliás, introduziu mesmo o conceito de "descoberta" e abriu o caminho à invenção da ciência. A nova cultura teve os seus mártires (Giordano Bruno e Galileu Galilei), os seus heróis (Johannes Kepler e Robert Boyle) e os seus artesãos pacientes (William Gilbert e Robert Hooke). Conduziu a um novo racionalismo, extinguindo a alquimia, a astrologia e a crença na feitiçaria. Levou à invenção da máquina a vapor e à primeira Revolução Industrial. A obra fundamental e de referência de David Wootton altera a nossa compreensão de como se deu esta grande transformação e do que é a ciência.
«Contra o Vento», de Valentim Alexandre
"Após a Segunda Guerra Mundial, a ameaça de partilha das colónias portuguesas desvaneceu-se, dando lugar a uma outra - a da descolonização, tocando sucessivamente a Ásia e a África. É da evolução do sistema colonial português nesta nova situação que trata o presente livro - estudando a descolonização e as resistências que Portugal lhe opôs, não, como tem sido habitual, numa perspetiva de tempo curto (incidindo no período que vai da revolução do 25 de Abril de 1974 até à data da proclamação da independência de Angola, a 11 de novembro do ano seguinte), mas numa análise de um tempo mais longo e de ordem comparativa. [...] Deve salientar-se, no entanto, que este não é um trabalho sobre Salazar e a sua política. A partir da documentação do seu arquivo - e com o recurso, sempre que necessário, a fontes de outra natureza -, procurámos ir mais longe, seguindo a evolução do Império, nos seus diversos aspetos: o da política colonial; o da economia colonial; o da política externa; o das relações entre o Estado português e a Igreja Católica; e o da defesa militar e policial."
«Tempo de Raiva», de Panjak Mishra
Como se pode explicar a onda de ódio que parece varrer o mundo atual? Será possível escrever a História da raiva através dos tempos? Pankaj Mishra acredita que sim, que há uma ligação entre os atentados bombistas e atiradores do século XIX e os acontecimentos violentos dos dias de hoje. Em «Tempo de Raiva», um polémico e subversivo livro, o ensaísta e romancista indiano defende que estamos a assistir a uma pandemia global de raiva. O fenómeno dos contínuos ataques terroristas de hoje, segundo Mishra, pode ser atribuído a ressentimentos desorientados que, no século XIX, deram origem aos jovens enraivecidos que engrossaram as filas do nacional-socialismo na Alemanha, que se tornaram revolucionários messiânicos na Rússia, belicistas na Itália e terroristas anárquicos, internacionalmente. Este é um livro indispensável para compreender o mundo em que vivemos e onde podemos encontrar uma resposta às inquietações suscitadas pelo terror do autoproclamado Estado Islâmico, visto que "nada, desde o triunfo dos vândalos no Norte de África romano, pareceu tão repentino, incompreensível e difícil de reverter".
«O Caso da PIDE/DGS», de Irene Flunser Pimentel
Em «O Caso da PIDE/DGS - Foram julgados os principais agentes da Ditadura portuguesa?» são analisados os últimos dias da PIDE/DGS e o processo de justiça política relativa aos elementos deste braço da ditadura, na transição para a Democracia. Todos os principais dirigentes estão aqui representados, assim como valiosas estatísticas que nos dão a conhecer o número de agentes e informadores detidos, após a extinção da PIDE. Com este livro Irene Flunser Pimentel indaga a forma como decorreu este processo, até hoje bastante questionado e largamente desconhecido. Uma investigação realizada em numerosos arquivos portugueses e em abundante bibliografia. Um livro essencial para percebermos como evoluiu a memória do passado ditatorial e da PIDE/DGS.
«Crónica de uma amizade fixe», de Vítor Ramalho
A evocação da amizade de Vítor Ramalho e Mário Soares, na narrativa de uma ligação de décadas, repleta de episódios marcantes e que cimentou toda uma relação pessoal e política. Desde o convite inicial a Vítor Ramalho para o exercício de funções governativas, apresentado pelo então primeiro-ministro Mário Soares como sendo uma proposta sem possibilidade de recusa, até à comoção sentida na despedida derradeira – quando o cortejo fúnebre do ex-Presidente passou em frente da sede do PS, em Lisboa –, o relato de uma sólida amizade que se estreitou, independentemente dos triunfos ou desaires políticos vividos por cada um deles, ao longo da nossa História recente. Alargada também à convivência familiar – com Maria de Jesus Barroso a desempenhar desde sempre um papel influente e pacificador –, eis uma amizade solidária que percorre grandes momentos e outros menos felizes do País, recordada a partir de um olhar que constitui, antes de mais, um testemunho sobre o entendimento cúmplice que uniu Mário Soares e Vítor Ramalho em situações, confrontos ou alianças com protagonistas da vida partidária e política bem conhecidos, sem esquecer igualmente o contributo prestado por ambos para realizações e iniciativas que ficaram a assinalar intervenções cívicas de relevância inegável.
«Filhos da América», de Nélida Piñon
Em «Filhos da América», Nélida Piñon escreve sobre Machado de Assis e José de Alencar, escritores que considera dois dos principais intérpretes do Brasil na literatura; perfila a atriz Marília Pêra, exalta a escrita de Rachel de Queiroz, saúda a chegada de Antônio Torres à Academia Brasileira de Letras e, entre outros temas, homenageia a amiga Carmen Balcells, que morreu em 2015 e foi agente literária dos maiores escritores da América Latina. Neste que também é um livro sobre memória, Nélida rende tributos à literatura ibero-americana, passeia pela Galiza da sua infância e a que restou na vida dos parentes que com ela vieram para o Brasil, recorda os caminhos que a levaram a escrever livros como A República dos Sonhos, sobre imigração, e Vozes do Deserto, sobre as narrativas árabes, que tem Scherezade como protagonista. Grande contadora de histórias e exímia ouvinte, a autora circula por todos os ambientes, desde as esquinas de seu bairro até os salões mais nobres, recolhendo, da vida e da relação com as pessoas, memórias que transbordam em seguida para a sua escrita. Este livro é, portanto, um registo das suas experiências, da cultura e das pessoas.
«Portugal Católico», de José Eduardo Franco e José Carlos Seabra Pereira
"A presente obra não visa constituir mais uma contribuição erudita ou edificante de retrospetiva histórica; pretende, antes, traduzir-se num fundamentado quadro da condição atual do catolicismo em Portugal. Tem, pois, por intuito primordial pôr em evidência, com visão realista dos sinais de vitalidade e das limitações, as múltiplas facetas e as dinâmicas contemporâneas da comunidade católica nos vários domínios da vida da sociedade portuguesa. Enfim, trata-se de fazer o ponto da situação das presenças e ausências, dos acertos e desacertos, das forças e fraquezas das perspetivas cristãs, através de um discurso de rigor e numa escrita capaz de chegar a um vasto público de leitores católicos e não católicos, de vários estratos socioculturais. Graças a colaboração de dezenas de autores, vindos de diferentes gerações e sectores, com distintas formações e opções entre os leigos, com várias sensibilidades espirituais entre os consagrados, esta obra constitui-se em polifonia sobre as mais representativas faces do catolicismo em Portugal no século XXI - vozes condensadas na dicção de duas centenas de textos breves, intercalados com larga componente imagética.