Vigias da Inquisição

A história trágica de Manuel Fernandes Vila Real, cristão-novo ou judeu (ou ambas as coisas), em tempos da Restauração da Independência da Portugal
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SINOPSE

Depois de experiências como militar e financista, Vila Real partiu para França em 1638, onde teve um papel importante em apoio às embaixadas de Portugal e desenvolveu um labor intenso como escritor ao serviço da Restauração.

Colecionador de livros, Vila Real regressou a Portugal em 1649, na comitiva do conde da Vidigueira, trazendo consigo um conjunto de obras, algumas delas proibidas pela Censura. O rei D. João IV, que terá concedido a Vila Real o título de «real cavaleiro fidalgo» da sua Casa, estava para o enviar em nova missão, em reconhecimento pelos serviços distintos que prestara em França ao serviço de Portugal, quando o Santo Ofício o prendeu por ser um «dos que leem e retêm livros de hereges ou de alguma ímpia seita».

A Inquisição, «Estado dentro do Estado», tinha como alvo preferencial os cristãos-novos e os judeus, mas estendia também as suas garras a todas as «heterodoxias» e a todos os «maus costumes». A prisão de Vila Real revela as lutas entre os poderes, da Coroa e da Igreja, e mostra como era impossível ter-se uma «outra cultura» em Portugal, sobretudo se ela afirmasse ou fizesse sobressair ideias que fossem contrárias à fé católica oficial.

E nem os cristãos-novos que apoiaram, economicamente e através da ação diplomática, a Coroa portuguesa escapavam ao castigo e execução pela Inquisição por, alegada ou efetivamente, «judaizarem», como sucedeu no processo paradigmático de Manuel Fernandes Vila Real.
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DETALHES DO PRODUTO

Vigias da Inquisição
de Luís Reis Torgal
ISBN: 9789896448530
Edição/reimpressão: 06-2024
Editor: Temas e Debates
Código: 000281000994
Idioma: Português
Dimensões: 151 x 238 x 23 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 376
Tipo de Produto: Livro
Classificação Temática: Livros > Livros em Português > História > História de Portugal
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

sobre Luís Reis Torgal

Professor catedrático aposentado da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, foi fundador do Centro de Estudos Interdisciplinares da Universidade de Coimbra – CEIS20. É Sócio Honorário da Academia Portuguesa da História. Foi professor convidado de várias universidades, escolas superiores e instituições de cultura, entre outras: em França, onde foi directeur d'études invite da École des Hautes Études en Sciences Sociales, de Paris; na Inglaterra, em que foi visiting professor da British Academy na University of Birmingham; no Japão, na University of Foreign Studies de Quioto; e no Brasil, em que é doutor honoris causa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tem-se dedicado a diversos temas desde o século XVII ao século XX, especialmente no âmbito da História Política e das Ideias, da História da Universidade, da História da História e da Teoria da História. Recebeu vários prémios e foi-lhe concedida, em 2016, a medalha de Mérito em Ciência pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Na Temas e Debates, publicou: O Liberalismo (coord.), vol. 5 da História de Portugal, dirigida por José Mattoso; História da História em Portugal (em colaboração); António José de Almeida e a República (em colaboração); O Cinema sob o Olhar de Salazar (coord.); História… Que História?; Essa Palavra Liberdade… Revolução liberal e contrarrevolução absolutista (1820-1834); Brandos Costumes…. O Estado Novo, a PIDE e os Intelectuais (coord.); e Vigias da Inquisição, distinguido em 2024 com o Prémio Joaquim Veríssimo Serrão, da Academia Portuguesa da História – Fundação Eng.º António de Almeida.
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