No Fio da Navalha
Retomamos agora o fio dessa meada, a partir do momento em que, a 13 de abril, o presidente de Conselho, Oliveira Salazar, vencido o golpe de Estado conhecido por Abrilada, assumiu a pasta da Defesa, fazendo-se desde então a mobilização do contingente geral do Exército para combater a revolta angolana. Em causa estavam então, não apenas a guerra em Angola, mas a defesa de todo o império, face às múltiplas ameaças que sobre ele pendiam. É dessas ameaças e das respostas que lhes foram dadas pelo Governo português - nomeadamente, pelo ministro do Ultramar, Adriano Moreira - que trata o presente livro.»
«Se nos lembrarmos daquilo que os restantes meses de 1961 ainda reservavam para a muito abalada nau imperial - da vertigem autonomista em Angola à queda do Estado da Índia -, as expectativas para a sequela deste tour de force não podiam ser mais altas.»
Pedro Aires Oliveira, recensão ao livro Os Desastres da Guerra - Portugal e as Revoltas em Angola (1961: Janeiro a Abril), in Análise Social, n.º 243, 2022.