2021-07-16

Novo livro de Valentim Alexandre analisa em pormenor as revoltas em Angola de 1961 que abriram caminho a 13 anos de guerra colonial

Um livro imprescindível para melhor compreender a história colonial portuguesa

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Nos primeiros meses de 1961, três grandes convulsões, em zonas geográficas diferentes, abalaram o domínio colonial em Angola e a vida política em Portugal, abrindo caminho para 13 anos de uma sangrenta guerra colonial. No livro que a Temas e Debates publica a 22 de julho, Os Desastres da Guerra, Portugal e as Revoltas em Angola (1961: Janeiro a Abril), o investigador jubilado do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa Valentim Alexandre apresenta uma análise detalhada e completa das causas e consequências das revoltas de Angola nos inícios de 1961 – nas colónias e na metrópole. 

 

 

Nesta obra, que retoma o trabalho realizado em Contra o Vento, a revolta de Baixa de Cassange (de janeiro a março), o assalto às prisões de Luanda (em fevereiro) e a insurreição no Norte do território (a partir de 15 de março) são estudadas com o distanciamento e a clareza habituais de Valentim Alexandre. O estudo destas rebeliões e das suas repercussões políticas e sociais em todo o território angolano ocupa a primeira parte do livro. A segunda aborda as consequências desses eventos na vida política da metrópole: a alteração profunda do quadro de relações internacionais em que Portugal se movia; as reações das várias forças políticas, do regime e da oposição; e as turbulências no meio militar, que conduziram ao movimento conhecido por Abrilada, levada a cabo pelas mais altas instâncias das Forças Armadas, pondo em causa o poder de Salazar.

 

 

Baseando a investigação com documentação do «Arquivo Salazar», jornais e relatos de jornalistas portugueses e angolanos de vários quadrantes políticos, obras publicadas em Portugal e Angola na época e depoimentos de militares, Valentim Alexandre apresenta um livro essencial e bem fundamentado sobre um período ainda hoje pouco conhecido da história recente portuguesa – tratada com o distanciamento que deve ser o apanágio do historiador, votado, não a julgar, mas a interpretar e a compreender, na medida em que lhe é possível, o que não significa justificar ou minimizar atos e comportamentos, neste livro descritos em toda a sua crueza.

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