O Instituto das Plantas foi muito mais do que o mais rico acervo de plantas jamais reunido. Foi o projeto do botânico Nikolai Vavilov para acabar com a fome na União Soviética e no mundo e foi a missão de vida das pessoas que lá trabalhavam durante o cerco alemão a Leninegrado que fez centenas de milhares de mortes. Foi também o ponto de partida do jornalista Simon Parkin para um livro que reúne ciência, política, resistência, ilusão, esperança e desespero e agarra o leitor a uma história verídica. Este retrato de um momento especialmente negro no século XX é também um alerta para a atualidade. Em cerca de 350 páginas, a narrativa jornalística do autor promete não deixar indiferente quem lê. O Jardim Proibido de Leninegrado chega às livrarias a 9 de julho.
«Sem se deixarem intimidar, ele [Vavilov] e a sua equipa tinham, no período de uma década após a sua chegada, obtido grandes vitórias na sua missão, repondo a coleção inicial, que fora comida pelos seus antecessores nos anos da Revolução, e aumentando-a substancialmente», escreve Simon Parkin no início do livro sobre o banco de sementes que se tornou conhecido e uma referência em todo o mundo. «Quando chegou o ano de 1933, os botânicos tinham recolhido pelo menos 148 mil sementes e tubérculos vivos, sendo o seu trabalho incentivado pelas sucessivas ondas de fome na Rússia, que proporcionavam um vínculo claro e pungente entre o trabalho científico teórico e a sua ambição prática de atingir a segurança alimentar.»
No verão de 1941, os soldados alemães cercaram a cidade russa de Leninegrado – a atual Sampetersburgo – e deram início ao bloqueio mais longo de que há registo histórico. Numa estimativa por defeito, o cerco iria ceifar as vidas de 750 mil pessoas que, na sua maioria, morreram de inanição.
No centro de Leningrado erguia-se um palácio transformado que albergava o Instituto das Plantas – o primeiro banco de sementes do mundo. Depois de se terem malogrado as tentativas de transferir a coleção para outro local, e à medida que os mantimentos diminuíam, os cientistas responsáveis viram-se confrontados com uma decisão terrível: deveriam distribuir os espécimes pela população faminta, ou preservá-los na esperança de que contivessem a solução para pôr termo à fome mundial?
Recorrendo a fontes inéditas, O Jardim Proibido de Leninegrado conta a história notável e comovente dos botânicos que permaneceram no Instituto das Plantas durante os dias mais sombrios do cerco, arriscando as suas vidas em nome da ciência.