Se, por um lado, olhamos para a tecnologia, a inteligência artificial e a robótica como caminhos que estão a secar as emoções da humanidade, uma vez que as interações entre pessoas passam a ser dominadas por algoritmos e máquinas, por outro lado também é verdade que as emoções são a matéria-prima que permite à tecnologia lucrar. Eva Illouz explora a premissa de que a tecnologia e as emoções se coproduzem mutuamente e que isso vai continuar a acontecer, no futuro previsível, de pelo menos cinco formas diferentes. O Futuro das Emoções chega às livrarias a 9 de julho.
A tecnologia é convencionalmente vista como desumanizante. No entanto, como Eva Illouz demonstra neste livro conciso, a tecnologia tornou-se singularmente emocional, explorando e suscitando continuamente uma grande variedade de emoções. Desde emojis, GIF e «Gostos», até influenciadores, aplicações de meditação e mundos virtuais, a tecnologia imita e amplia cada vez mais a vida emocional, convertendo sentimentos em dados quantificáveis e gerando lucros extraordinários. O tecnocapitalismo, argumenta Illouz, já não explora o solo, mas extrai valor do eu e da subjetividade, transformando a energia emocional em capital. Esta intimidade maquínica entre humanos e tecnologia integra economia, cultura e psicologia numa única matriz, fazendo das emoções os novos canais económicos do tecnocapitalismo.
«Estamos a assistir a uma emocionalização sem precedentes da tecnologia, em que as emoções têm sido transformadas na matéria-prima extraída pela tecnologia para se obter lucro», escreve a autora na introdução. «Se, até agora, o capitalismo industrial consistiu na extração de materiais da terra e na sua transformação pelas indústrias para produzir bens, o tecnocapitalismo extrai valor do eu para ser consumido pelo próprio eu, constituindo um eu capitalista.»
A emocionalização da tecnologia tem efeitos profundos: a perda da experiência, a solidão preenchida por interações e lazer vividos por outrem e a substituição da realidade pela performance da autenticidade. Através de uma variedade de exemplos, Illouz explora os mecanismos através dos quais o eu emocional se tornou o principal recurso económico do capitalismo, um mundo em que os nossos sentimentos passam pelas máquinas e são por elas fabricados, medidos e vendidos.