Mais do que revisitar o padre António Vieira, este novo livro mostra como a sua vida, obra e pensamento podem fornecer chaves de leitura para entender o Portugal e o mundo de hoje. Partindo do diagnóstico que o padre António Vieira faz desse mal tão português que é a inveja, este livro apresenta caminhos por ele propostos para alcançar uma maior compreensão de nós mesmos enquanto seres humanos, na relação com um passado que nos permite entender o presente e semear o futuro. A Inveja é o Vício de Portugal tem autoria de José Eduardo Franco e prefácio de Rui Tavares e chega às livrarias a 23 de julho.
«Porque vale a pena ler Vieira? Este imenso escritor ainda colhe hoje o entusiasmo e o interesse de escritores, pensadores e estudiosos, não só porque é uma escola de bem falar e de bem escrever, mas porque nos ensina a ler o mundo e a condição humana. Vieira é um mestre de humanidade. Vieira pode-nos inspirar com o seu exemplo, com a sua ação e a sua palavra. Com o seu exemplo, inspira-nos a não desistir, a acreditar nos nossos ideais e a não desanimar perante as dificuldades.
Este livro apresenta diagnósticos e caminhos propostos por Vieira para alcançar uma maior compreensão de nós mesmos enquanto seres humanos, na relação com um passado como base para entender o presente e enquanto semente do futuro. Oferece-se nesta edição todos os discursos de evocação do padre António Vieira proferidos na Assembleia da República Portuguesa em julho de 1997, em que se assinalou os 300 anos da sua morte. Partindo de diferentes perspetivas ideológicas, os discursos pronunciados pelos principais titulares dos órgãos de soberania de Portugal e do Brasil e pelos representantes dos diferentes partidos políticos (CDS, PCP, PS, PSD e Verdes) com assento parlamentar são ilustrativos de como a vida, a obra e o pensamento de Vieira podem fornecer chaves de leitura para entender o Portugal e o mundo de hoje.»
Adaptado da Introdução
«Este livro pode, se bem entendido, adquirir até uma função terapêutica — pelo menos na medida em que faria muito bem ao debate nacional dar-lhe atenção, pelo que ele nos poderia dar de resolução à angústia permanente de nos acreditarmos invejosos quando o que temos é acima de tudo medo de “chegar a ser homens” (e mulheres) tendo nascido pequenos, em Portugal, e vindo a morrer grandes, no mundo.
Acrescentaria aliás que isso se aplica também aos que chegam a ser homens decidindo vir dos seus países, às vezes grandes, para viver e morrer no pequeno Portugal. A agressividade com que são tratados são um sinal da má resolução da inveja e até mesmo uma traição ao que é ser português. Vieira gasta muito tempo, como José Eduardo Franco demonstra, procurando provar que o destino português é o de ser um país essencialmente cosmopolita.»
Do Prefácio de Rui Tavares