2021-05-05

Permanentemente conectados, eternamente sós: bem-vindos ao século da solidão

«Em todo o mundo as pessoas sentem-se sós, desligadas e alienadas. Estamos em plena crise global de solidão.»

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A solidão tornou-se a característica definidora do século XXI. Mesmo antes da pandemia mundial – que nos confinou às nossas casas, nos isolou de amigos e familiares, nos privou das rotinas sociais e nos familiarizou com expressões como «distanciamento social» e «teletrabalho» – já vivíamos num mundo predominantemente solitário. Três em cada cinco adultos dos EUA já se consideravam pessoas sós, e mais do que um em cada cinco millennials afirmava não ter qualquer amigo. Na Alemanha, dois terços da população achava que a solidão era um problema grave; quase um terço dos neerlandeses e um quarto da população sueca admitia sentir-se só; e no Reino Unido o problema era tão grave que em 2018 o primeiro-ministro nomeou um ministro da Solidão. «Os dados referentes à Ásia, Austrália, América do Sul e África eram similarmente perturbadores. (…) Novos e velhos, homens e mulheres, solteiros e casados, ricos e pobres. Em todo o mundo as pessoas sentem-se sós, desligadas e alienadas. Estamos em plena crise global de solidão.»

 

No livro O Século da Solidão, que a Temas e Debates publica a 13 de maio, Noreena Hertz, considerada uma «das principais pensadoras globais» pelo The Observer, dá-nos um retrato desassombrado mas otimista do mundo solitário que construímos e mostra-nos como a Covid-19 acelerou o problema da solidão e o que precisamos de fazer para nos religarmos. Nunca como agora foi a solidão tão generalizada, mas também nunca dispusemos de tantos meios para lidar com ela. Com base em anos de pesquisa, vários estudos, entrevistas e exemplos concretos, a autora explora como a nossa crescente dependência da tecnologia, o desmantelamento das instituições cívicas, a reorganização radical dos espaços de trabalho, a migração maciça para as cidades, e décadas de políticas neoliberais, que puseram o interesse próprio acima do bem coletivo, nos estão a tornar mais isolados do que nunca.

 

«Antes de o coronavírus atacar, já estávamos a viver o Século da Solidão. Contudo, o vírus veio expor de maneira ainda mais acutilante o modo como tantos de nós se sentem negligenciados e desapoiados, não só pelos amigos e a família, mas também pelos empregadores e pelo Estado; como tantos de nós nos sentimos desligados, não apenas daqueles com quem temos uma relação mais íntima, mas também dos nossos vizinhos, dos nossos colegas de trabalho e dos nossos líderes políticos.»

 

Noreena Hertz explica que solidão é mais do que nos sentirmos sozinhos ou incapazes de nos relacionarmos com os outros. É também sentirmo-nos abandonados pelos políticos, excluídos pela sociedade, impotentes e invisíveis. E essa solidão traz consequências nocivas não só para a nossa saúde, felicidade e riqueza, como também para a democracia, ao alimentar a divisão e o extremismo em todo o mundo. Propondo soluções originais que vão da Inteligência Artificial «empática» e de modelos inovadores de residência urbana a novas maneiras de revigorarmos os nossos bairros e conciliarmos as nossas diferenças, este livro dá-nos uma visão otimista e capacitadora do modo como podemos sarar as nossas comunidades fraturadas e restaurar as ligações nas nossas vidas.

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