Proto é um retrato revelador da história mundial através das palavras. Laura Spinney, jornalista especializada em ciência, leva o leitor numa viagem no tempo e no espaço até às origens da chamada língua antiga protoindo-europeia. E porque é que isto é importante? Porque as línguas que quase metade da população mundial fala hoje descendem dela. Com a ajuda da ciência e de uma escrita fluida e recheada de informação, a autora segue a evolução da linguagem ao longo do tempo e por diferentes geografias. Um olhar para um passado muito longínquo que é, não só científica e historicamente interessante, como também fundamental para percebermos o presente. Proto chega às livrarias a 5 de março.
Quando o planeta emergiu da última era glacial, uma língua nasceu entre a Europa e a Ásia, junto ao mar Negro. Essa língua antiga, a que chamamos protoindo-europeu, não tardou a sair do seu berço, mudando e fragmentando-se à medida que progredia no espaço, até os seus descendentes serem falados da Escócia à China. Hoje, esses descendentes constituem a maior família linguística do mundo, o fio que liga culturas díspares: do Inferno de Dante ao Rig Veda, d’O Senhor dos Anéis à poesia amorosa de Rumi.
«O sânscrito, o grego, o latim, o nórdico primitivo e o inglês descendem todos de uma língua muito mais antiga – o protoindo-europeu, de “proto”, que significa primeiro, e “indo-europeu”, a família a que pertencem essas línguas», explica Laura Spinney na introdução do livro. «O Big Bang das línguas indo-europeias é de longe o acontecimento mais importante dos últimos cinco milénios, no Velho Mundo. Foram necessários mais de 3500 anos e a invenção do navio oceânico, mas depois de 1492 algumas dessas línguas implantaram-se no Novo Mundo e, daí, expandiram-se de novo.»
Com Laura Spinney, viajamos ao longo da estepe, pelo Cáucaso, pelas Rotas da Seda e pelo Indocuche. Seguimos os passos de nómadas e monges e guerreiras amazonas — os povos antigos que espalharam tais línguas por toda a parte. No presente, Spinney encontra cientistas envolvidos na missão emocionante de recuperar essas línguas perdidas: os linguistas, arqueólogos e geneticistas que reconstruíram essa diáspora antiga. O que eles descobriram tem implicações vitais para o mundo moderno, já que as pessoas e as suas línguas estão novamente em movimento.
«Agora, oito mil milhões de seres humanos falam cerca de sete mil línguas, que se inserem, aproximadamente, em 40 famílias, mas a maior parte de nós fala línguas que pertencem apenas a cinco delas: indo-europeia, sino-tibetana, Niger-Congo, afro-asiática e austronésia. Entre essas cinco, destacam-se dois gigantes: as línguas indo-europeias, cujo representante mais importante é o inglês, e as sino-tibetanas, que incluem o mandarim», escreve a autora. «Na Terra, quase uma em cada duas pessoas fala uma língua indo-europeia.»