Para compreender devidamente a relação sino-russa no século XXI, é preciso um entendimento do seu longevo passado. Os historiadores Sören Urbansky e Martin Wagner apresentam-nos os quatrocentos anos de história destes dois vizinhos: dos primeiros contactos oficiais em 1618, passando pelos desentendimentos entre os dois regimes comunistas, o de Krutchev e o de Mao, até à reação da China quando a Rússia operou a sua invasão em grande escala da Ucrânia, em 2022. Vizinhos Distantes chega às livrarias a 12 de fevereiro.
Especula-se muito acerca da relação entre a China e a Rússia. Embora numerosos observadores receiem o estabelecimento de uma aliança autoritária entre estas duas grandes potências, os interesses geopolíticos de Pequim e Moscovo apresentam-se amiúde em conflito. E embora Vladimir Putin e Xi Jinping se declarem «bons amigos», o equilíbrio de poder entre os dois países não deixa de ser assunto de uma série de conjeturas.
«Os floreados com que os chefes de Estado Xi Jinping e Vladimir Putin rescrevem as relações bilaterais no novo milénio – como uma “amizade sem limites” – soam ameaçadores e, ao mesmo tempo, vazios – pois também atrás deles se escondem, não apenas interesses partilhados, como substanciais rivalidades», lê-se no início do livro. «A longo prazo, o cenário de uma aliança autoritária de Putin com Xi poderá ser muito mais bem-sucedida do que a aliança que os dois países comunistas firmaram em meados do século XX.»
Urbansky e Wagner, especialistas de renome mundial neste domínio, contam a multifacetada história das relações complexas às quais as duas nações nunca tiveram a possibilidade de se esquivar. Na qualidade de grandes impérios, superpotências socialistas e regimes autoritários, assemelharam-se e compararam-se, competiram e colaboraram entre si.
«O nosso livro adentra-se na história da relação entre a China e a Rússia. Coloca-se diante da complexidade histórica desta relação de calibre mundial sem perder de vista o presente», escrevem os autores na introdução. «Com base em 12 episódios de destaque, retratamos em moldes exemplares a relação sino-russa nas suas múltiplas facetas, dos altos círculos da política nos centros aos encontros quotidianos junto à fronteira. Contar a história, não com base na evolução dos acontecimentos, mas antes com um enfoque em momentos decisivos, permite trazer à luz os desafios recorrentes e as ambivalências supratemporais.»
Os caminhos da China e da Rússia cruzam-se inevitavelmente e, contudo, não marcham ao mesmo passo.